“O romance de Ricardo Pires de Souza nos conduz a um portal fascinante, não apenas pela travessia na história do pensamento mítico e místico da humanidade, mas também pelo contato com a vida de personagens memoráveis, reunidos nas tertúlias que a protagonista Maria Garcia promovia em sua casa, espécie de vórtice para além do cotidiano mesquinho que nos domestica e aprisiona.
A vida de Maria Garcia e sua antepassadas percorre o século XX e é tocada por acontecimentos como a Era Vargas, a ditadura militar no Brasil, entre outros. Mas é como anfitriã sensível e acolhedora desses encontros antroposóficos, por assim dizer, que sua personalidade cativante se desnuda aos nossos olhos e nos captura.
Assim como nos seduz desde as primeiras linhas, Maria também conquista o coração e a mente do narrador deste romance, um deus pequeno, desses que vivem à margem do Panteão clássico – misto de mensageiro dos deuses e guardião das narrativas de todas as culturas, povos e tempos, que sabe de cor as grandes obras fundadoras, como o Épico de Gilgamesh, Ilíada, Odisseia, Mahabrarata, Dhammapada, Tao-Te-King, Popol Vuh, para citar alguns.
Um deus menor e escriba, cansado da eternidade e da solidão abissal, que decide misturar-se aos mortais, humanizar-se, qual os anjos de Wim Wenders, escolhendo Maria Garcia como sua guia pela selva do mundo contemporâneo. O encanto entre os dois se dá logo no primeiro abraço.
A casa se torna o palco de grandes encontros e diálogos em torno das questões mais diversas do ser e estar no presente e na história, da espiritualidade à filosofia, em todas as dimensões de temporalidade e consciência, com um elenco de personagens ao mesmo tempo singulares e divertidos, num concerto polifônico de vozes e visões de mundo, regidos pela batuta apaixonada de Maria Garcia. A casa e seu jardim, cultivado como uma obra de arte ou como um templo sagrado por Maria, têm alma.
Entre as muitas facetas e façanhas desta narrativa engenhosa de Ricardo Pires de Souza, além de brincar de modo inteligente com os artifícios da ficção, está a demonstração do que há de demasiado humano sob as camadas de conhecimento, história e imaginário (leia-se: a extensão social do nosso inconsciente, ou o inconsciente coletivo, como queria Jung) de que fazemos parte, como peças de um imenso tabuleiro borgeano, em movimento. A exemplo da casa de Maria Garcia, a trama do romance também tem alma.”
Reynaldo Damazio
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Ricardo Pires de Souza
Ricardo Pires de Souza é doutor em radiologia pela Universidade de São Paulo, especializado em oncologia de cabeça e pescoço, e psicoterapeuta com formação em psicologia profunda (International Association for Analytical Psychology). Autor de artigos científicos, ensaios e capítulos em livros especializados. Poeta, autor de Anima Mundi (2004) e A Dança de Shiva (2010), pela Ateliê Editorial. Agricultor urbano, produtor de microverdes. Agora, romancista.
| Gênero | Ficção, Romance |
|---|---|
| Autor | Ricardo Pires de Souza |
| Formato | 14x21cm |
| Páginas | 140 |
| ISBN | 978-65-85148-34-4 |
| Ano de lançamento | 2026 |
R$78.00
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