9 janelas paralelas e outros incômodos

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Da janela feita pele se avista além de qualquer fronteira. É preciso encostar-se no parapeito metálico e pausar os minutos em silêncio para ler paisagens e adentrar incômodos. Suspender o tempo e ouvir também o que não dizem as palavras. É preciso alcançar as inscrições na parede úmida do poço e desse útero ver jorrar. Colar o ouvido ao canto dos pássaros mudos para aprender o voo. Respirar líquido com os peixes.

 

É com o corpo que se lê o que contam essas narrativas paralelas, mas nunca enfileiradas. Os dedos logo vão saber como
desfolhar as páginas. Porque o espaço aqui é feito dobradura que guarda delicadeza e liberta movimento. É, ao mesmo tempo, amplidão de campo amarelo-ouro e reclusão cinza-chumbo. Nem circular, nem circunscrito: é construção que deixa ver os andaimes e ensina a brincar com estilhaços.

 

É possível que durante a leitura sinta-se uma necessidade incontrolável de rapidamente levantar os olhos do livro para espiar, pela fresta da persiana, o sexo do vizinho. Pode ocorrer, ainda, um desejo ancestral de comer raízes e fazer fotossíntese no asfalto. Virão, sem dúvida, risos sacanas de canto de boca e risadas largas. Nada que assuste em demasia um leitor enamorado por vertigens literárias de longa duração.

 

 

Cristiane Tavares

 

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Descrição

Geruza Zelnys

Geruza Zelnys é escafandrista com doutorado em literatura líquida. Mestre em Crítica Literária (PUC-SP) e doutora em Teoria Literária e Literatura Comparada (USP), tem pesquisa de pós-doutorado em processos criativos e terapêuticos nas oficinas de criação literária (UNIFESP). Trabalha como professora universitária no Instituto Vera Cruz e ministra oficinas de escrita criativa na Casa das Rosas, Casa Mário de Andrade e diferentes unidades do SESC. Em 2014, criou o curso de Escrita Curativa. Desde lá, publicou três livros de poesia: “esse livro não é pra você” (Patuá, 2015), “se do meu púbis nascessem asas & outros poemas” (Oito e Meio, 2017) e “Folheio teus cabelos, no contratempo do vento” (Urutau, 2017); um livro de contos: “9 janelas paralelas & outros incômodos” (Dobradura, 2016); um romance com o prêmio PROAC 2015: “tatuagem: mínimo romance” (Patuá, 2016) e um livro infantil: “Pássaro azul” (Quase Oito, 2018). Também organizou o volume de ensaios: paisagens mínimas: experiências com a escrita criativa (Dobradura, 2017). “Quintais” recebeu o prêmio para publicação de livros da Prefeitura do Município de São Paulo.

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gênero: contos
formato:
14 × 21 × 1 cm
páginas:
104

peso: 0,260 kg
ISBN: 978-8582-820506
ano de lançamento:
2016

 

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