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Relinchos – Francielly Baliana

em relinchos, francielly baliana cavalga infinita e nua no chão (des)conhecido da poesia. íntegra, onírica, ela mesma auxílio “a mulher que comeu papéis” e todos os mortos que mesmo vivos já são as cinzas das letras que regurgita rumina vomita.

 

são tantos os loa montados no/através do cavalo da poeta que se funde e se/nos confunde bolaño diamela rulfo derrida kamenszain a mãe a mãe a mãe de todos os poetas latinoamericanos. vozes estrangeiras, vozes animais, vozes “a que demos o nome / ao menos aqui / de medo da morte”

 

temos a impressão de ler sonhos. de sermos parte de um – mais de um, muito mais de um, apenas um – sonho sonhado pela poeta num livro mergulhado em alta concentração de noradrenalina. na coerência não-linear dos afetos, francielly se deixa alucinar e nos alucina no cacto do tempo, do seu tempo, do próprio tempo:

 

“não d u v i d ar do sono” (repita: “não d u v i d ar do sono”). cães cavalos gatos morangos bicho pantera serpente “o animal é o humano” então “então acredite / quando um animal te disser / aquilo que você esqueceu / como entender”.

 

é que quando a gente morre os neurônios continuam funcionando. o coração já não bate, e sem oxigênio o tempo se alonga. francielly visita sua coleção de memórias infinitamente. somos parte dela, memória de futuro. andamos por sonhos dentro de sonhos.

 

é que quando o tempo resiste à morte, sonho a sonho as representações vão ficando mais abstratas, mais fluidas, mais ocas, menos fiéis, como no horizonte um “navio inexistente”. ou relinchos se tornando sussurros: “minha mãe minha mulher minha filha morreu / sou do tamanho de uma voz abafada”. é tudo segredo

 

que ainda ecoa na fotografia da contracapa: “veja e se assuste comigo”. então fecha os olhos agora, descansa, sonha a poeta metade cavalo metade cavala, mergulha no vão e ou/vê: “meus silêncios / escute / falam por mim”.

 

Geruza Zelnys

R$55.00

Sobre autor(a)

Francielly Baliana

nasceu em Jacareí, interior de São Paulo. É escritora e professora de Literatura. Autora de “Um já que jaz”, publicado pela Editora Patuá, em 2018, e de “Esse mito, a história: literatura e relações de gênero em Eduardo Galeano”, pela Editora Ape’Ku, em 2020. Graduou-se em Letras e em Jornalismo, tem mestrado em Letras e atualmente finaliza seu doutorado em Teoria Literária e Literatura Comparada na Universidade de São Paulo. Divide os dias com Omar, Sol e Matilde, bichos com quem cria cotidianamente universidades desconhecidas.

Leia um trecho do livro

Informações técnicas

Informação adicional

Gênero

Poesia

Formato

14 × 21 × 1 cm

Páginas

96

ISBN

978-65-85148-03-0

Ano de lançamento

2023

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