Como que me desprego das paredes da casa e saio para te encontrar

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não sei ser fêmea
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não sei ser fêmea

 

É preciso ter sensíveis as pontas dos dedos pra tocar/ver/sentir a multiplicidade do corpus poético de Viviane Tricerri André: paguro sonhando asas, serpente-chicote arrancando gozo do/no poema, lettera/letra estrangeira que, sem pele e sem casa, busca contorno nas/das palavras. “como que me desprego das paredes da casa e saio pra te encontrar” é um livro de poemas, mas também um ensaio femeal pois fêmeos são corpos que se autofecundam: torço o dorso / duro corpo / torso / tentando alcançar meu gosto.

 

E, nesse percurso de exploração rara, a poeta tateia o hermafroditismo da palavra, da palavra-língua: uso a língua onde quiser. Mas o onde é sempre um intervalo no qual tudo é mole e duro, dobra e retidão, sêmen e óvulo, matéria e vazio… O sexo aqui, antes aprisionado no grosso jeans índigo blue, se liberta da generificação e arrisco dizer que, com mais intensidade do que intencionalidade, explode ditames no acontecimento de algo novo, algo queer/cuir: a dura ponta / é meu o falo / sou eu o macho / mas antes / foste tu que me emprenhaste.

 

Ainda é cedo pra dizer, sou aqui apenas uma orelha escutando atenta e tentando entender ressonâncias desse corpus que incorporo na relação com outres que me habitam: Nathanaël; Hilda Hilst; Paul B. Preciado, Maria Eduarda Checa… E agora Viviane Tricerri André: dois ocos cilindros de carne / comem-se / ora eu dentro ela fora eu // expostas.

 

Esse livro pede mais e mais leituras [minhas e suas]: vou arrancar um poema pele pra você. Esse livro pede pra viver ou pra morrer diante dos seus olhos: form- / atar / o olhar do outro / for[mata]me. Esse livro pede o mais além aqui: é deste corpo que vou te experimentar, Deus. Mas, de todo modo, não temos escolha: leia/o. Porque esse livro corpa-se: Meu monstro se mostra / monstra.

 

Geruza Zelnys

Descrição

Viviane Tricerri André

Viviane Tricerri André é mestra em profundezas, doutora em reemersão. Quando menina, poetava, mas fui para as artes plásticas, fotografia, escultura, música, dança. Vivo embrenhada na mata (com meu companheiro e minha filha, Flora) e dela brotou, floriu e frutificou meu primeiro livro de poemas “Colar de grilos” (2017), aí, comecei a fazer cursos de escrita: criativa, curativa, esquizoestorias… e sigo. Escavando, escrevendo, esca-vendo.

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gênero: poesia

formato: 15 × 21 × 1 cm
páginas:
100

peso: 0,210 kg
ISBN: 978-65-996462-8-7
ano de lançamento:
2023

 

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