Cali-grafia. O que Adriana Ono faz em A luminosidade alva do sol após a passagem de um tufão é pintura, mas não qualquer pintura, é a arte ancestral do sumiê. Aqui, filosofia e poesia – hábil e elegantemente – se harmonizam à prosa em traços que escorrem com aparente espontaneidade do seu objeto mágico: uma serpente-pincel que desliza sobre o papel que bem poderia ser de
arroz. Alvíssima, Adriana Ono estreia com suavidade, mas firme e ereta, na Literatura: movimentos irreproduzíveis de uma escritura que preza pela essencialidade dos acontecimentos. Nada a ser subtraído ou acrescido à experiência aliada da intuição, essa inspiração movente que faz a tinta dançar.
Não busque, portanto, exatidão no percurso dessas imagens; concentre-se, antes, na pressão de algumas delas sobre a página marcando a relação entre textos, ou na água farta que borra encontros imagéticos, espelhando, por vezes, uma história à outra. “Flor rara” é essa autora que convida a distinguir travessia e deslocamento, pois, sim, há pontos específicos no mapa – lugares de partida e de chegada – mas, entre eles, uma gama de derivas, desvios e sonhos, deslocam-se entre tsurus, peixes com asas, paguros, florestas, cucos, ciganas, sargaços… Adriana Ono está em harmonia com o caminho. E nós, com ela.
Geruza Zelnys
R$55.00

Adriana Ono
Formada em Cinema pela Escola de Comunicações e Artes (USP). No mestrado escreveu o roteiro E da praia acenam às embarcações, adaptação de O Mandril, de Zulmira Ribeiro Tavares. Deu aulas e orientou oficinas de audiovisual. Escreveu roteiros. Revisou textos editoriais. Pratica e estuda erraticamente o zen budismo, a ashtanga, o tai chi. Organiza livros de um autor. Escreve.
| Gênero | Poesia |
|---|---|
| Ano de lançamento | 2023 |
| ISBN | 978-65-85148-08-5 |
| Formato | 14 × 21 × 1 cm |
| Páginas | 60 |
R$60.00
R$48.00